Primeira Semana de Maio de 2009 Tenho tentado e acho que tenho conseguido ter o equilíbrio suficiente para enfrentar os momentos difíceis da vida. Tenho praticado o ato de ser contemplativa, a forma que encontrei de alcançar esse equilíbrio. Não tenho deixado de me colocar em primeiro lugar, tenho treinado a dizer NÃO, mas essa primeira semana de maio tem sido um inferno astral. Reli ontem uma crônica de Rachel de Queiroz, chamada Talvez o Último Desejo, escrita mais ou menos em 1950, onde ela tem vontade de dizer a tudo e a todos: "Danem-se". Se Rachel teve vontade, eu também tenho, de gritar bem alto: "Danem-se, porque eu vou embora para Salvador". Mas não adianta. Tenho que ficar por aqui mesmo, pelo menos por enquanto e segurar a barra, não deixar a peteca cair, manter o equilíbrio. Fazer o que estou fazendo agora, escrever, é uma das melhores formas que encontro para sair do olho do furacão. Foi a essa conclusão que ela, Rachel, também chegou. Mas tenho meus motivos para estar estressada. Acompanhem comigo e vejam se eu não tenho razão. Minha mãe está passando por uma bateria de exames, há uns dez dias. Nesse período eu não tenho feito outra coisa senão agendá-los nos laboratórios, ir com ela, voltar três dias úteis depois para pegar, enquanto acompanho em outro exame, levar os resultados nos médicos, ir à farmácia, fazer a receita de bolo dos remédios... Cansaram? Imaginem o meu estado! Se eu pudesse, ficaria longe de médicos por um bom tempo... Para me informar procuro ler os jornais, mas a leitura não flui. Até o Suplicy confessou que usou sua cota de passagens aéreas para comprar passagens para o exterior para a namorada, ou ex-namorada. Devolveu o dinheiro ao Senado agora. Mas será que teria devolvido se esse escândalo das passagens aéreas não tivesse vindo à tona? Não sei. E ele é uma das reservas éticas do Senado! Outro Senador, que eu não me lembro do nome, mas é melhor lembrar - Sérgio Moraes do PTB do Rio Grande do Sul - declarou que está "se lixando para a opinião pública"... Largo os jornais e ligo a televisão. O sertão do Nordeste e o Norte estão com enchentes. Tudo boiando. O sertão virou mar. O Rio Grande do Sul está numa seca só. Já estão com racionamento de água. Acho que viraram o país de cabeça para baixo. Lembram-se das enchentes em Santa Catarina, há alguns meses? Eu tenho a impressão que os governos, as ONG's, o povo em geral, ficou mais tocado com o sofrimento do pessoal de Blumenau do que com o do Nordeste. É ou não é verdade? A gente acha que nordestino já está acostumado a sofrer e os louros de Blumenau, não. Consequência: valorizamos mais o sofrimento do Sul. A gripe suína chegou ao Brasil. O Ministro da Saúde e o Lula já declararam inúmeras vezes que está tudo sob controle. Mas já são seis casos no país. Será que está tudo sob controle? E dá para controlar? Não sei, não. Por falar em controle, pego o controle remoto e resolvo dar uma olhada na novela das nove, na Globo, Caminho da Índias. Are Baba! Nada mudou em uma semana. É melhor continuar pedindo à Fátima, minha repórter investigativa, para me fazer o resumo da semana. Não faz mal que não seja muito preciso, porque é impossível saber os nomes daqueles personagens. Sempre guardo a Revista da TV do Globo de domingo para ela. Ninguém toca na revista. Segunda feira, uma de suas tarefas é ler o resumo da semana e me repassar. Meu pai aproveita e também tira umas casquinhas. Todo dia ele pergunta à Fátima o que vai acontecer na novela. Ainda bem que ela tem uma paciência bíblica... Bem, desculpem-me pelo desabafo, mas às vezes é impossível ser poética ou lírica. Mas nada como uma boa noite de sono e amanhã tudo será melhor, mais auspicioso, como dizem na Índia. Assim é a vida. Estou usando esses termos de Caminho das Índias, com a ajuda de um email - dicionário, que recebi de minha amiga Marly. Namastê. Rio, 08.05.2009 Maria Cristina Villares villaresmcl.blog.uol.com.br
Escrito por Maria Cristina Villares às 08h25
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