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Crônicas de Maria Cristina Villares


Valorizando o que Deve Ser Valorizado

 

Depois dos cinqüenta, sejamos homens ou mulheres, tudo muda. Depois dos trinta e mesmo dos quarenta, não senti grandes mudanças, mas agora, depois dos cinqüenta, passei e continuo passando por profundas transformações. Acredito firmemente que eu não seja a única, que todos nós, de alguma maneira mudamos, depois de meio século de vida. E é bom que mudemos. É sinal de crescimento.

É claro que a idade nos traz problemas. As roupas de antigamente já não servem mais e não adianta fazer a dieta da lua, do abacaxi, das proteínas, porque para perdermos um quilo, levamos meses. Os óculos passam a fazer parte de nós.

Também não adianta querermos dar uma de super atleta, porque aí pode complicar o joelho, a coluna. Surgem as artroses, os pinçamentos, a pele vai perdendo o antigo viço, os cabelos ficam mais ralos e branqueiam. Estão assustados? Mas é a verdade. Só nos resta enfrentá-la.

É triste vermos nossos pais envelhecendo e até amigos partindo. Imaginamos que um dia isso também acontecerá conosco, porque ninguém fica aqui eternamente. Os que possuem netos têm dúvidas sobre como ajudá-los a enfrentar esse mundo hostil, totalmente diferente daquele em que vivemos quando tínhamos a idade deles. Não sei o que dizer.

Só sei que existe um momento nessa fase da vida em que acordamos. É isso mesmo, acordamos com uma nova visão, na qual a palavra chave é "EQUILÍBRIO". Equilíbrio necessário para superarmos o lado negativo, que sempre existirá.

Quando acordamos, compreendemos que não existe felicidade completa, que não adianta corrermos atrás, porque nunca a alcançaremos. Nada é perfeito. Compreendemos que existem momentos felizes e momentos difíceis, que são superados e que outros virão, demandando de nós, força e luta. Passaremos novamente por períodos de mágoa e de dor. Por isso o equilíbrio é vital e ele surge justamente nessa fase da vida. É um renascer.

Quando renascemos e olhamos à nossa volta, compreendemos que fazemos parte do Universo e que com ele devemos interagir para valorizarmos os bons momentos, os momentos de felicidade, que nos dão energia para continuar lutando. A vida é uma eterna luta.

Começamos então a olhar a Natureza e o Mundo, com um olhar mais sofisticado. Aprendemos a ver e a escutar. Passamos a valorizar o que deve ser valorizado, como a imensa variedade de cores dos hibiscos, o verde das árvores, o reflexo da lua cheia no mar, à noite, o canto dos pássaros, as verdadeiras amizades. Aprendemos a não deixar de fazer o importante para fazermos somente o urgente. Chegamos à conclusão de que não existe amor eterno, mas sim companheirismo duradouro. Passamos então a valorizar um relacionamento que nunca foi valorizado, porque percebemos que é aquela a pessoa que nos faz viver esses bons momentos e é com ela que desejamos compartilhá-los. É essa a pessoa que nos conforta quando mais precisamos, que está sempre pronta para nos acompanhar nessa jornada da vida, para qualquer direção e a qualquer hora, que nos ouve, nos estende a mão.

Descobrimos que tudo o que nos dá prazer, tem que passar pelo coração. E o melhor de tudo é que passamos a nos dar o direito de fazer o que nos dá prazer. Passamos a separar o joio do trigo e começamos a dar mais de nosso tempo a nós mesmos, nessa seleção equilibrada das tarefas inevitáveis a cumprir e das coisas que nos alimentam, que nos nutrem.

É nessa hora também que passamos a valorizar a nossa casa, a nossa terra, a nossa cidade, o nosso povo, a nossa música. Passamos a prestar mais atenção nas letras de certas músicas e concluímos que são verdadeiros poemas. Concluímos que é muito bom ouvir essas músicas com o nosso companheiro ou companheira ao lado.

É ótimo quando descobrimos que nunca é tarde para mudar ou para aprender. Se a vida não está bem, vamos tratar de mudá-la. Temos obrigação de fazer o melhor para nós mesmos, pois somente assim poderemos fazer o melhor pelos que estão à nossa volta.

Querem um conselho? Dizem que conselho não se dá. Então vai aqui uma opinião. Valorizem quem valoriza vocês. Olhem para tudo e vejam o que há de bonito nas coisas simples do dia a dia. Escutem os seus corações, a sua alma. Soltem o seu emocional e deixem que ele se revele junto ao racional. O tempo corre. Não esperem demais.

Terminando e mudando de assunto: no bate boca no STF, entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, assim como Veríssimo, também torço por Barbosa.

E na luta de Dilma contra o linfoma, torço imensamente por ela, a mulher, o ser humano.

 

Rio, 01.05.2009

Maria Cristina Villares

villaresmcl.blog.uol.com.br



Escrito por Maria Cristina Villares às 16h39
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