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Voltando de Paris Estamos nós aqui novamente, 23 de abril, quinta feira, Ana e eu no avião da Tam, voltando de Paris para o Rio. Mais uma vez, a decolagem foi de uma pontualidade britânica, exatamente às 21:50 h. A previsão para a chegada no Rio é às 5:00 h da manhã do dia 24, sexta feira. Demos sorte. O vôo está vazio e conseguimos pegar aqueles quatro assentos do meio, somente para nós duas. Vamos poder esticar melhor as pernas. Passamos ótimos dias em Paris. O tempo estava muito bom, sem chuva, temperatura amena. Esfriava um pouco mais à noite, mas nada que incomodasse demais. Pude rever lugares lindos, como o Museu D’Orsay, o Jardin des Tuileries, a Champs Elysées, o Arco do Triunfo, o Sena, com aquelas pontes maravilhosas... Paris é muito linda, pena que seja tudo em euros e aí é melhor deixar para converter para reais no Brasil, porque senão é melhor nem sair de casa. Saímos de carro, com uma amiga de Ana, que vive em Paris há uns cinco anos, Marilza. Ela é casada com um francês. Já conseguiu a documentação francesa. É uma pessoa ótima, super simpática, alegre e nos levou pelo interior da França até a Normandia, nas praias do desembarque da Segunda Guerra Mundial, Honfleur, Deauville e Trouville. Atualmente são balneários, mas possuem muita história. Honfleur parece uma pintura, com aquelas casinhas todas coloridas e os barcos na frente. Mas em termos de praia, meus amigos, um horror! Para começar a água deve congelar os ossos, mesmo no verão. Bate um vento gelado, que só pingüim agüenta e o pior: não vi um grão de areia, só pedra. Já imaginaram sentar numa praia gelada, de casaco e ainda com o traseiro em cima de pedras e nada de areia! Mas valeu pela história do local, pela arquitetura e pela companhia de Marilza. No fim de semana que passamos por aqui fomos para Amsterdam, encontrar uma outra amiga que mora no Rio, mas que estava por aquelas bandas naquele fim de semana, Lúcia. Ela é ótima. Bebemos todas, mas ficamos por aí. Amsterdam é realmente linda, com todos aqueles canais, aquelas casa fantásticas e um povo super simpático. Todos paz e amor, no stress, mesmo falando aquela língua que ninguém entende, o Dutch. Fizemos um cruzeiro pelos canais. Foi muito legal. Adorei! Bem, passamos uns dez dias fora. Foi o suficiente para relaxar e descansar a cabeça, porque o corpo está arrasado de tanto andar. Por Ana, ela ficaria viajando a vida toda, não sente falta de seu canto. Eu já sou diferente. Gosto de viajar, mas depois de uns dez dias começo a ficar cansada e mal humorada. Nada mais me atrai, quero voltar para casa. Nessa hora a melhor parte da viagem para mim, é voltar para o meu Brasil, para o meu Rio de Janeiro, para a minha Copacabana, para o meu canto. Estou morrendo de saudades de comer arroz, feijão e ovo frito, deitar na minha cama, com o meu travesseiro, usar o meu banheiro, olhar para as minhas coisas, ver minha família. Sinto uma saudade imensa disso tudo. Não vejo a hora de chegar em CASA! Dei uma olhada no mapa online e vi que estávamos sobre Salvador. Olhei pela janela e consegui ver aquelas luzes todas, contornando a costa da primeira capital do Brasil. Lindo, emocionante. Parecia um imenso colar dourado. Salve, Salvador! No final das contas, gosto mais de você do que de Paris. Viajar é muito bom, mas voltar é muito melhor. Gonçalves Dias tinha razão: "Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.”
Brasil, 23.04.2009 Maria Cristina Villares villaresmcl.blog.uol.com.br
Escrito por Maria Cristina Villares às 13h14
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Viajando para Paris Hoje é dia 15 de abril, quarta feira. Ana e eu embarcamos ontem, para Paris às 23:50 h, pontualmente, pela Tam, num vôo direto do Rio. Ainda bem que não precisamos fazer conexão em Cumbica, o que é um verdadeiro suplício. Pelo menos agora, o Rio está tendo vôos diretos, internacionais, com maior regularidade. Não podemos reclamar de nada até o momento. O horário foi rigidamente cumprido e o jantar servido a bordo foi bastante razoável. Tomei um bom vinho tinto, com um comprimido de Rivotril de 2 mg. Até agora, nada de sono e então resolvi pegar o notebook para contar para vocês o que está acontecendo. Ana está vendo um filme do Brad Pitt, mas eu não consigo me concentrar em filmes em viagens. Prefiro ficar olhando pela janela, vendo se consigo identificar algumas constelações e ficar acompanhando aquele mapa online. Nesse momento, com quase duas horas de vôo, já passamos por Salvador, a minha cidade querida. Quando o sono chegar, eu paro e depois continuo. Mas vou fazer o possível para escrever o mais que eu puder. Olhei pela janela. Tudo escuro, somente as estrelas cintilam. Pareceu-me ver o Cruzeiro do Sul. Deve ser ele mesmo, pois ainda estamos abaixo da linha do Equador e a estrela de baixo aponta justamente para o Sul. Não consigo ver a Lua. Ou deve estar do outro lado do avião, ou deve estar inspirando outros corações enamorados. Acabou de aparecer um comissário de bordo que gentilmente pediu-me para fechar a janela. Parece que o pessoal quer dormir e aquelas luzinhas piscando na ponta da asa do avião atrapalham o sono deles. Fechei, mas logo dei uma levantadinha de leve e olhei para ver se o Cruzeiro ainda estava lá. Estava. Olhando para o mapa, já passamos por Arapiraca e estamos chegando a Garanhuns. Garanhuns é a terra do nosso Presidente. Ou não? Perguntei a Ana e ela me confirmou. Estamos em Pernambuco. Daqui a pouco, somente o mar estará abaixo de nós. Quando será que vai clarear? A diferença de horário daqui para Pais são de cinco horas. Lá já são sete horas da manhã. Já pratiquei uma boa ação hoje. Depois que chegamos ao Aeroporto do Galeão, recuso-me a chamá-lo de Tom Jobim, e fizemos o check-in, fomos, é claro, ao Freeshop. Ana já queria começar a fazer compras. Encantou-se por uma bolsa da Donna Karan. Mas eu consegui convencê-la a deixar para começar a comprar mais tarde. Mas eu sei que daqui a pouco, no avião, ela vai começar e eu não vou reprimir. Repressões não. Estamos de férias. Olhei para o mapa. Já estamos na Paraíba, bem em cima de Campina Grande, a uma altitude de 37.000 pés, mais ou menos 11.000 metros. Na poltrona do nosso lado, com o corredor no meio, ainda bem, há um jovem rapaz, com toda a pinta de estrangeiro, bêbado feito um gambá. Nem sei como ele conseguiu embarcar. A aeromoça precisou vir colocar o cinto de segurança nele. Mesmo assim, a sua cabeça balança para frente e para trás. Ana e eu sentimos um bafo de álcool danado. Não reparei se ele jantou. Não deve ter comido. Está apagado. Levantei de novo a janela. Continua lá o Cruzeiro. Ana está firme, concentrada no Brad Pitt. Só vai parar de ver quando começarem a vender as muambas. Aí eu também vou querer ver, confesso. Já estamos pertinho de Natal e daqui a pouco vem o Oceano Atlântico. Aí o mapa perde um pouco a graça e eu vou ver se durmo. Mas antes quero ver o que tem para vender no avião e ir ao banheiro. Voltei decepcionada do banheiro. Calma gente, não houve nada de anormal. Apenas perguntei à aeromoça quando começariam a vender os produtos do Freeshop. Sabem a resposta? Nos destinos da América do Sul para a Europa, não há Freeshop a bordo. Ana vai ter que esperar para gastar lá em Paris, mesmo. Melhor. Muito mais opções! Vou parar por aqui, porque minha bateria está acabando, ou melhor, a do notebook, e está começando a me dar um soninho. Daqui a sete horas e meia estaremos chegando a Paris. Vou tentar dormir um pouco e de lá eu continuo. O problema é que essas poltronas inclinam num ângulo máximo de vinte graus e são duras feito páu. Mas vamos tentar. Já estamos sobre o Atlântico. Acordei. Deu para dar uma cochilada. Ana está nos alongamentos e eu vou acompanhá-la para melhorar a circulação. Já vão servir o café da manhã e daqui a pouco estaremos em Paris. À bientôt, mes amis. Brasil, 15.04.2009 Maria Cristina Villares villaresmcl.blog.uol.com.br
Escrito por Maria Cristina Villares às 13h13
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